2 – DA SÉRIE “POEMAS IMPUBLICÁVEIS”, NÃO PUBLICADO

houve enfim descanso rouco
houve só um tempo
monto meu cavalomosca
e cavalgo pelas selvas do infinito voar
e pego piolhos no ar
piolhos que dançam feito bolas
ouvindo as cantigas
rodopio louco pelo céu
desci ao cume
cantei e soprei espirro

tudo em vão
pobre matéria
corria doido
vã e tanta artéria de sangue
que escorre pelo bueiro do esgoto
sem tampa ou vazão
pus
cuspe
monte de gente amontoada
perdida
sabem eu as observo
eu as controlo eu sou o vosso deus
eu sei
o que ninguém sabe
sei de tudo e sei de nada
obrigado
obrigado
obrigado
feito um aluno num banco de escola
pobre aluno
de uma escola
de fundo de poça-lama
de poça-funda-escura
de lama-pura-lama
de só lama funda poça
de escola de alunos sentados obrigados a varrer
pra dentro de seus próprios seres todo o conhecer
e as inutilidades
e as padronistas estudantes de pedagogia
que os engolem
que os vomitam
os saberes
todos bagunçados
como armário de escola suja
como carteira
como mão de agiota
suja-escola-viva
teacher
tea-cool
ice-tea

tia

posso ir no banheiro?
vai a merda moleque
seu burro!

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