INCERTO OU ERRADO ou UMA CARTA AOS BRASILEIROS

A palavra de Deus é de deus,
ninguém humano conhece a palavra de deus.

Humanos dizem que a palavra de deus está na bíblia,
humanos dizem que a palavra de deus está no alcorão,
no velho ou novo testamento,
mas a palavra de deus,
como o próprio nome já diz,
é de deus.

Pastor é deus?
Padre é deus?
Livro é deus?
O marceneiro Jesus,
lá de Bélem,
que dizem ter nascido há mais de 2013 anos,
é deus?

Talvez, aliás,
deus nem tenha sequer palavra,
nós não sabemos…

O pajé sabe das palavras de deus?
Ou quem sabe é o papa?
nós não sabemos…

O que somos nós,
muitas vezes sem o conhecimento
material e visível
das técnicas e teorias
desenvolvidas pela nossa espécie,
os humanos,
julgamos saber os desígnios de deus,
ousando chamá-lo até
de nosso Senhor,
algo que sequer sabemos
o que é,
por que não o conhecemos.
Quem é nosso Senhor?
Quais são suas ordens,
suas vontades,
seus castigos?

Como podemos ousar saber tanto,
se muitas vezes não entendemos
o que lemos?
Se nada sabemos
sobre o que somos,
ou, se ainda,
antes mesmo,
temos entre nós
tanta desigualdade
nas oportunidades
de sobrevivência
de um ser para outro.

O que são os nossos sistemas políticos,
invadidos por ladrões e tecnocratas sem recursos?

Os problemas reais,
do mundo real,
das coisas vivas que pensam,
os problemas humanos
não nos damos o trabalho de resolver,
mas queremos resolver os planos de deus…?

Ó brasileiras… ó brasileiros…
Não deixais
terem queimadas as vossas terras,
vossas vidas e vossas almas,
neste afã impensado
de perseguir a deus,
aceitando,
como se normal fosse,
fé cega,
admitindo pessoas
que se digam
representantes de deus,
promovendo o preconceito,
a violência,
o egoísmo,
a segregação,
a competição
e a ignorância.

Ainda falta conhecimento.
Quando sairmos da era da informação,
ou quando esta grande guerra acabar,
talvez serão os brasileiros
os vencedores.

Apoiados na luta
e na formação dos nossos pares.
Combatendo a ignorância
proposta pela crença obstinada naquilo que não se sabe
e pela falta de dúvida no mar de incertezas.

Hoje ouvi que se tem fé já basta,
independente,
a fé é o bastante.
Fé não mata fome.
Fé não protege do frio.
Fé não desvia um projétil calibre 380.
Eu duvido da fé.

Minha fé é na dúvida,
eu creio que nada sei,
se os humanos me são estranhos,
curiosos, duros, amáveis…
deus é intangível.

A ideia de deus para mim
é um ser na mente
de quem acredita,
para cada pessoa que crê em deus
existe um deus diferente,
que só aquela pessoa conhece,
e sim,
isso é encantador.

Cada deus diferente
tem seus próprios modos de pensar,
agir, falar, castigar, salvar, ser fiel,
pedir, perdoar,
e até roubar, matar, estuprar,
por que,
na boca dos humanos,
deus faz tudo isso também.

Descobrir o deus
em que cada um acredita
pode ser
uma divertida distração.
Para quem se interessa
é até mesmo um prazer.

Mas no fim,
para mim,
é deprimente.
Salvam-me,
nesta saga,
os deuses mais diferentes,
mais perdoadores,
salvadores,
expansivos,
criativos,
coloridos,
permissivos,
maravilhosos,
pais da natureza…

Por que?
Mereceria a natureza,
já tão rica,
esplendorosa,
e infinita,
um pai?

Quem inventou que tudo isso tem um criador?
E se tiver mesmo,
todo o Universo tem um criador,
beleza,
mas quem de nós iria saber disso?

Que deus maluco é esse
que cria o universo
para depois separar,
salvar,
castigar,
a esses pedacinhos ínfimos de vida
neste pequenino planetinha
perdido em meio a esta inexplorável galáxia?

Eu penso bastante.
Passo horas pensando,
tentando resolver dilemas.
Meu deus posso chamar de pensamento?

Penso mesmo.
Penso,
logo deus o que é?
Quem criou deus?
Ele mesmo se criou?
Ou terá sido outro deus?
Ou terá sido um humano esperto,
tal como outros
que criaram todas as ideias?
O deus do Egito antigo ainda vive?
Quantos anos de idade esse garoto tem?
Como se mantém tão jovem,
mesmo depois de tanto tempo?

O que se concluiu
é uma questão
que atravessa os tempos:
Os homens passam rápido, morrem cedo.
As ideias ficam.
As ideias são mais fortes
e mais resistentes
que os humanos.

Mas foram as ideias que nos criaram?
Somos feitos de ideias?
Quais são as nossas ideias?
Ou seria certa a pergunta:
somos pertences de quais ideias?
Quais ideias nos dominam?

Elas sim,
nisto eu acredito,
as ideias são nosso Senhor, e muito nos faltará.

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