Romantismos de um bocudo

 

1

 

É o vento que faz tremer as copas verdes,

mistura as águas, e faz voar as aves.

É o vento que traz o canto embalado.

Transa na noite o pólen mais forte

Evolução do vento, redemoinho, passarada, assovio.

Faz a cama de pétalas pro dia acordar descansado

Faz, o vento encarnado, a casa do dia brilhante.

 

2

 

Um dia inteiro despedaçado,

mal começou e já havia acabado.

Nenhum encontro combinado se deu.

A morte chamou:

Vamos tomar um café?

Com um sorriso nos lábios.

E o Tempo, fração mal encaixada

não parou no momento,

nem voltou ao passado.

E o futuro não veio,

só o presente foi dado.

 

3

 

Como podemos entrar num acordo?

 

Eu e o seu lado poesia precisamos nos encontrar.

Só vejo seu lado pintado,

e a parte boa, velha e descascada.

 

Quero, ainda um pouco atrasado,

dar-te um singular presente

que só por mim pode ser dado,

pois de mim se trata.

 

Podemos selar um contrato.

Abaixo assinado, serei seu amante,

não seu criado.

 

4

 

Se me vires por aí sem o pano,

é por que estou frágil

precisando de cuidados.

 

Se hoje é raro o presente afeto

é dobrado

o valor

do seu dólar dobrado

 

Se vier ao mercado da gente

e sair, consternado,

sem me ver enjaulado

não chore.

 

Amanhã posso estar rasgado

O Álvaro de ontem é finado

A vontade navalha corta o presente

que é

seu próprio esmeril.

 

 

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